SIPAT

Artigo publicado na
REVISTA PROTEÇÃO


Com bom planejamento e criatividade, teatro empresarial ajuda a fixar conceitos de SST
 
“Ser ou não ser? Eis a questão.” Ser ou não ser criativo e bem-humorado no momento de falar sobre prevenção de acidentes? Esta é a questão! Não é a seriedade do assunto que deve ser colocada em pauta, pois isso é indiscutível. Mas talvez esteja aí a razão pela qual alguns profissionais do setor ainda resistem em inovar utilizando o teatro e o humor, visando sensibilizar as pessoas para a prevenção de acidentes no trabalho.
Nos últimos anos, tem aumentado consideravelmente o número de empresas que utilizam o teatro (peças teatrais com atores ou com funcionários, palestras animadas, intervenções nos locais de trabalho, programas de auditório e de entrevistas, entre outros formatos) como recurso para transmitir informações e mensagens sobre os mais variados assuntos no âmbito da Segurança do Trabalho.
Uma das razões de ordem prática e operacional responsável por este crescimento é a necessidade do técnico de Segurança do Trabalho “promover debates, encontros, campanhas, seminários, palestras, reuniões, treinamentos e utilizar outros recursos de ordem didática e pedagógica com o objetivo de divulgar as normas de Segurança e Higiene do Trabalho, assuntos técnicos, visando evitar acidentes do trabalho, doenças profissionais e do trabalho”.
Para isso, ele busca variar a forma de abordagem dos mesmos assuntos em eventos obrigatórios anuais, como por exemplo a SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho), a fim de torná-los atrativos e motivar a participação de um número maior de funcionários.
O objetivo é louvável, afinal, segundo a última estatística publicada pela Previdência Social, ocorreram 717.911 acidentes de trabalho com 2.797 mortes no Brasil em 2013. Isto justifica utilizar atividades teatrais criativas e bem-humoradas na condução de temas ligados à prevenção de acidentes ou a qualidade de vida, DST, AIDS, preservação do meio ambiente, campanhas de saúde, etc.
 
ESTRATÉGIAS
Como todas as artes, o teatro é a tradução da realidade em outra forma. Por isso, sempre foi utilizado em encenações trágicas ou em formato de comédia para criticar hábitos e costumes dos homens e da sociedade. O maior dramaturgo de todos os tempos, William Shakespeare (1564-1616), fez de seus textos grandes espetáculos que provocaram a reflexão sobre sentimentos e atitudes humanas nas relações interpessoais. Talvez esteja aí um dos motivos do sucesso que suas histórias fazem ainda hoje e continuarão fazendo por muito tempo. Afinal, a arte não envelhece e a temática “relações humanas” é inerente à existência do homem. 
Não é diferente dos resultados positivos do uso da criatividade através do teatro em treinamentos empresariais. Quando se planeja um evento e diversas atividades são ali colocadas para transmitirem informações que visam orientar e conscientizar as pessoas, sabe-se que seus objetivos não se esgotam com a sua realização. Por isso, essas atividades devem ser entendidas como ações primárias, ou seja, capazes de estimular a continuidade pelo público-alvo. Para isso acontecer, três são as estratégias a serem adotadas: o espanto, o encantamento e a mobilização.
 
1) Espanto – Refere-se às ações de comunicação que superam as expectativas dos participantes, levando conteúdos e formas de modo não esperado, inusitado, surpreendente. Espantar, nesse sentido, significa promover uma mudança rápida do modo de pensar, permitindo modificações comportamentais quase imediatas. As pessoas atualmente se espantam menos com os fatos novos, em virtude de sua imensa quantidade, e mais com as novas maneiras de apresentar os fatos, ainda que eles sejam antigos e já sabidos. Todos nós sabemos, por exemplo, que existiram dinossauros, mas nos espantamos diante da maneira como eles foram apresentados no cinema por Steven Spielberg, em “Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros”. Em pedagogia, é bastante conhecido o postulado de que a forma comunica muito mais do que o conteúdo. O “como” supera o “que”.
 
2) Encantamento – Encantar significa ligar afetivamente a pessoa à mensagem que se comunica ou ao meio de comunicação utilizado. Encantamento pressupõe sedução, desejo, apreço. A arte, através de todas as suas formas de manifestação, encanta e é nisso que reside todo o seu poder. O encantamento da escultura, da pintura, da música, do teatro, da literatura, da dança, do esporte, do cinema é o responsável por seu sucesso e sua perenidade. Analise e compare a reação de um funcionário ao saber que deverá participar de um treinamento convencional, via palestra ou curso, com a reação a uma atividade em forma de teatro ou similares. Além da melhor aceitação a este “convite”, o resultado final é muito mais eficaz: imagens e sensações impregnadas em nós por encantamento são permanentes. Daí a grande probabilidade da atividade teatral sensibilizar as pessoas para receberem informações, pois os dados que não encantam duram pouquíssimo em nossa memória. Pessoas encantadas aprendem mais, produzem melhor, são mais criativas, próativas e ligam-se por mais tempo àquilo que as encantou. A utilização das várias manifestações artísticas tem sido cada vez mais estimulada em programas educacionais. As metáforas do teatro provocam mais reflexão e compreensão do que explicações técnicas a respeito dos fatos e valores da vida humana. Uma frase do pintor Pablo Picasso (1881-1973) resume bem essa força: “A arte é a mentira que nos permite enxergar a verdade”. 

3) Mobilização
– Uma pessoa “espantada” e “encantada” precisa agora ser “mobilizada”, isto é, precisa agir. Afinal, o objetivo principal de todo evento interno voltado à Segurança do Trabalho, Saúde ou Qualidade de Vida é a prevenção, que se dá na ação de cada um e do coletivo. Além disso, a grande finalidade da vida não é o conhecimento, mas a ação oriunda dele. Daí a importância de uma continuidade, uma manutenção no dia a dia dos assuntos tratados em uma SIPAT, campanha, programa, etc.
 
MENSAGEM
Movimentos simples como uma boa comunicação visual ou mesmo encenações teatrais curtas podem garantir o link com as metas e objetivos estabelecidos. Foi pensando assim que Eloisa Reis, do setor de Segurança do Trabalho da Voith Serviços Industriais do Brasil, procurou pelo teatro: “Por entender que o recado era transmitido de forma descontraída e proporciona um momento de alegria em um ambiente em que muitas vezes as cobranças são pesadas e hostis”. Eloisa ainda acrescenta: “Nos concentramos em transmitir a mensagem de segurança sempre por meio de palestras técnicas e esquecemos que o nosso público possui culturas diferentes. Com o teatro, conseguimos conquistar de forma clara e objetiva o intuito a que nos propomos trabalhar na prevenção. As melhores lembranças que temos em nossas vidas são da época em que éramos crianças, quando ríamos e chorávamos de acordo com as nossas emoções. Então acredito que transmitir mensagens técnicas utilizando o teatro como precursor de mudanças é a chave do negócio”.
Eurípedes Alves de Oliveira, técnico de Segurança do Trabalho do Metro de São Paulo, utiliza o teatro “na busca de quebra de paradigmas, com o objetivo de empregar uma linguagem diferente, tentando de todas as formas despertar o interesse do empregado do chão de fábrica para os assuntos relacionados com saúde e prevenção”
A variação de formato que o teatro proporciona também faz dele uma ferramenta extremamente flexível, como destaca Mariangela Mosna Lourenço, assistente executiva da Axalta Coating Systems. “Antes de fecharmos qualquer evento, fazemos reuniões para definirmos qual atividade se adequa melhor ao público, horário e objetivos. Já utilizamos peças teatrais mais longas, programas de auditório que são divertidíssimos e pockets ou intervenções que atendem o público que não pode se dirigir até o local da apresentação.” 
O custo-benefício da contratação do teatro tem se mostrado extremamente compensador, não só pelos resultados, mas também pela quantidade de pessoas atingidas, maior que em atividades convencionais, como enfatiza Paulo Cesar do Amaral, do setor de Segurança do Trabalho do Laboratório Biovet. Ao avaliar se a atividade teatral atingiu os objetivos, Amaral responde: “Sim, não só pela presença dos colaboradores, além do normal, mas também pelos feedbacks que obtemos no final das peças. A peça teatral é a melhor forma de prender a atenção e conscientizar a equipe”
Para Sônia Maria Polesel, do setor de Serviço Social da Prensas Schuler, o referencial do sucesso foi outro: “Enxergamos isso quando os funcionários pediram para abrir as apresentações para os familiares”.
 
NECESSIDADES
Como em todo setor de atividade, também existem prestadores de serviços aquém das necessidades que o teatro empresarial exige. Nos últimos anos, diversos grupos ou empresas de teatro, atores ou artistas autônomos vêm se aproveitando do crescimento da busca por inovações em eventos corporativos para adaptar seus trabalhos e atender a demanda. Esse movimento trouxe “de tudo”. 
Em se tratando de comunicação através de atividades teatrais, é necessária a formação artística, claro. Mas, aliado a ela, é indispensável o conhecimento do mundo corporativo, tanto de áreas administrativas quanto produtivas, para evitar distorções de conteúdo, inadequação da linguagem e estereótipos de comportamento nas encenações. Além disso, descuidos com a produção, como figurinos, adereços e objetos cênicos esdrúxulos ou cenários mal elaborados ou mesmo ausentes, denigrem a imagem do evento e desperdiçam a oportunidade de agregar cultura aos assuntos tratados. Pior: erros desse tipo comprometem os objetivos do teatro, como ressalta Adriana Perin, coordenadora de Gestão de Pessoas da Coopercentral Aurora Alimentos. “Em algumas apresentações, o objetivo foi atingido e em outras não. Nos casos em que não atingimos o objetivo, o fornecedor não conseguiu entender o que queríamos/precisávamos. Não somos contrários às atividades teatrais, porém elas precisam ser bem planejadas e trabalhadas com bons fornecedores. Caso contrário, é tempo e dinheiro perdido.”
 
EFEITOS POSITIVOS DO RISO
Ele reduz tensões no trabalho e facilita o aprendizado
Com as empresas praticamente obrigadas a promover programas de melhoria contínua em todos os seus setores, o humor torna-se cada vez mais essencial. Afinal, quanto maior a demanda de qualidade, maior é a tensão do pessoal, tanto de produção quanto de administração. Existem dados mais do que suficientes para comprovar que a crescente pressão sobre o trabalhador afeta negativamente a produtividade, os resultados financeiros e os índices de acidentes. Uma quantidade igualmente vasta de pesquisas demonstra os efeitos positivos das risadas e do humor sobre os lucros devido à redução da tensão e suas consequências, como problemas cardíacos, distúrbios digestivos, gripes e outras doenças e lesões. A comunidade médica é unânime ao afirmar que risadas e bom humor fazem tão bem à saúde que contribuem para a cura de doenças (vide o resultado do trabalho dos Doutores da Alegria nos hospitais junto aos pacientes). Nas organizações não seria diferente. Especialista no assunto, John A. Meacham afirma em seus artigos que “a risada também liberta as pessoas de outro tipo de tensão – a tensão interpessoal”. Essa seria a razão por que, há tempos, muitos consultores altamente qualificados especializaram-se em levar o humor ao local de trabalho. Afinal, rir é um santo remédio! Veja aqui 10 razões para rir, saborear o riso e viver muito melhor:
 
1) Aumenta a harmonia, fortifica os relacionamentos, ajuda a superar as barreiras da comunicação – O humor geralmente cria espaço para a colaboração. As diferenças entre membros de uma equipe, gerentes e assistentes podem ser reduzidas quando eles têm um ponto em comum. Em uma grande empresa, 14 membros de uma equipe de trabalho criaram um hábito fora do comum: estabeleceram a “meia hora da piada” sempre após o almoço. No começo, os gerentes acharam que aquilo não passava de um comportamento antiprofissional, mas quando perceberam que o grupo trabalhava melhor e que os atrasos após o almoço terminaram, aderiram satisfeitos à integração. Em pouco tempo, a coesão e a produtividade aumentaram.

2) Diminui as chances de demissão – Pessoas que trabalham em um ambiente positivo, que permite o humor, têm maior tendência de permanecer no emprego e manter relacionamentos. O humor também é o segredo de muitos casamentos bem-sucedidos.

3) Aumenta a produtividade – Está mais do que provado que as pessoas que gostam do que fazem, do ambiente em que trabalham e dos colegas de equipe produzem mais e melhor.

4) Impulsiona a criatividade – As pessoas bem-humoradas “colorem” as coisas, não têm medo de parecerem bobas de vez em quando, arriscam-se, veem tudo sob um prisma mais alegre. São, por isso, indicadas para resolver problemas. Com certeza, encontram soluções muitas vezes impensadas pelos demais.

5) Ajuda a controlar o estresse – Por várias razões, o humor reduz a pressão do perfeccionismo e permite o alívio físico das tensões. É uma válvula de escape muito eficiente.

6) É um ótimo exercício para o sistema cardiovascular – Uma boa gargalhada aumenta o nível de respiração, a pressão do sangue e o funcionamento do músculo cardíaco. Quando ela cessa, tudo volta ao normal. Boas gargalhadas durante o dia permitem esse exercício do sistema cardiovascular.

7) Estimula os órgãos internos – Uma boa risada é uma ótima massagem nos órgãos internos, ajudando-os a trabalharem melhor. Pode auxiliar inclusive o funcionamento dos intestinos.

8) Estimula o sistema imunológico – Quando o sistema de defesa do nosso organismo está forte, temos menores chances de pegarmos resfriados, gripes, etc. Tornamo-nos mais saudáveis e, como resultado, aproveitamos melhor a vida e realizamos nosso trabalho de maneira satisfatória.

9) Suaviza a dor – Gargalhadas liberam endorfina.

10) Além de tudo isso, é divertido – Graças ao humor, somos mais felizes, saudáveis, criativos, produtivos e os nossos relacionamentos tornam-se mais agradáveis. 

ALEGRIA QUE MOTIVA 

As pesquisas mostram que alegria e risadas estimulam a liberação de substâncias químicas como endorfina e adrenalina, aumentando a sensação de bem-estar e a energia. Isso abre caminho não só para ideias e decisões mais criativas, como também abre portas para a melhora dos relacionamentos, da autoestima, da saúde e do desempenho na busca pela prevenção de acidentes e por uma melhor qualidade de vida.
Risadas e um bom senso de humor melhoram a capacidade de aprendizado: aprende-se com prazer, mais rápido e fica mais fácil lembrar depois. Porém no teatro também é essencial o conhecimento do mundo corporativo para entender que não é necessário o uso de palavrões, deboches, caricaturas pejorativas, gestuais invasivos e apelativos. 
A receita está dada: atividades teatrais tendo o humor como acessório, com conteúdo idôneo, fruto de pesquisas junto a órgãos oficiais ou profissionais especializados, alinhadas às necessidades de cada evento, apresentadas por atores profissionais e experientes em atuar no mundo corporativo, com linguagem e interatividade adequadas, podem ser uma ferramenta de treinamento eficaz em assuntos cuja motivação de pessoas é a chave para a garantia de bons resultados. E a prevenção de acidentes é um deles."

Marcos Soares Horta
Sócio-proprietário, ator profissional, autor e diretor teatral da Seção Demais Suzuki Comunicação





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